Uma tendência governamental é trabalhar com softwares livres, e na educação pública não é diferente. Visando isto fomos submetidos, no curso educação e tecnologias contemporâneas da faculdade de física da Universidade federal da Bahia, a oficinas de manipulação de imagens, audio e video utilizando softwares livres. No geral foi bastante interessante, e nos ofereceu novos caminhos a serem usados em sala de aula, apesar de me sentir um pouco constrangido com a obrigação se usa-los na atividades avaliativas a que a turma será submetida, creio que objetivo maior deveria ser focado em fazer com que o estudante/professor soubesse lidar com as manipulações, independente de ele pagar ou não pelo programa utilizado.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Nova relação com o saber.
Com o desenvolvimento exponencial da tecnologia, o avanço da internet e a globalização, as relações com os saberes foram se modificando ao passar dos tempo. Um aluno ao chegar em uma sala de aula trás consigo uma gama de informações adquiridas a partir de sua relação com a internet e, acostumados com o acesso cada vez mais fácil a equipamentos tecnologicamente avançados, por vezes, não se contentam com o conteúdo estático dos livros e com as aulas tradicionalistas, resumidas a piloto e quadro.
Um dos grandes desafios da educação é acompanhar essas transformações e utilizar as novas tecnologias a seu favor. E se torna desafio principalmente por contar com educadores que não foram preparados (capacitados) durante sua formação para lidar com as novas tecnologias e, anteriormente a isto, não foram educados nesta realidade (formação básica). É preciso, portanto, investir em capacitação para os professores que já atuam em sala de aula, e cabe também as unidades formadoras (Universidades) atentarem para importância do desenvolvimento de conteúdos voltados para as novas tecnologias.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Doutores de uma educação de tinta e papel.
Imaginemos que a educação fosse a saúde pública, que um Hospital Geral fosse a sala de aula e que um médico deste hospital fosse um professor. Este médico atende nas emergências, dá plantões exaustivos e ainda viaja para trabalhar nos interiores do Estado para completar o salário. Em certo momento um Doutor em Saúde Publica, que nunca passou na porta de um HG, muito menos deu plantões ou precisou fazer viagens para completar o salário e não teve a oportunidade de correr o risco diário de ser espancado por um paciente ou familiar que não tivesse satisfeito com o atendimento, resolvesse criar teorias sobre como se trabalhar nos HGs e de cara lhe dissesse, o salário não é importante, o que importa é o amor pelos pacientes, e outra, a culpa da saúde pública está assim é sua que não trabalha direito, sua abordagem com os pacientes é equivocada, tem que ter amor, você deve ter o tempo para se capacitar e melhorar o atendimento aos pacientes, e outra, esses argumentos de que o hospital não tem estrutura, que as macas são improvisadas e que não existem leitos para todos os pacientes não são validos, possa ser que sejam reais, mas não impossibilita que você faça um excelente trabalho e salve vidas.
Fico imaginando qual seria a reação desses médicos plantonistas ao ouvirem essa teoria. Possas ser que este especialista em saúde não exista, mas é um ser constante na educação. Doutores de uma educação de tinta e papel, que nunca enfrentaram a realidade de uma escola pública, que jamais tiveram sua vida ameaçada por um aluno, que não presenciaram a morte de um aluno querido por causa das drogas, que não tiveram que passar o fim de semana, que deveria ser dedicado ao lazer, tendo que preparar aulas, pois não tem tempo durante os outros dias porque está exercitando o amor em sala de aula, criam varias teorias sobre como se comportar, ou que fazer na educação. Hoje pela manhã estava assistindo a um jornal de cunho nacional e um desses doutores, estrangeiro (o que é pior, pois não conhece em nada a realidade da educação pública do Brasil), disse que o salário do professor não é importante e o que é importante é o amor e que se deveria gerar o ócio criativo na educação (momentos para reflexão, onde se estimularia a criatividade) para poder gerar mentes brilhantes.
Pois bem senhores professores das escolas públicas brasileiras, verdadeiros doutores da educação real, vamos viver de amor, para quer viver com qualidade? O que importa é o ócio, criativo. Então nada de trabalhar de 60 a 80 horas, é 40 horas no máximo, e nas outras 20 horas restantes do dia sejam criativos. Se pudesse voltar no tempo e escolher que tipo de doutor eu queria ser, jamais escolheria ser o de tinta e papel, pois a maioria esmagadora destes não conhece a realidade da educação e nunca precisaram dar aula para 45 alunos em uma sala, no turno vespertino (sol poente) sem ventilador ouvindo o “arrocha” vindo da casa ao lado e a sinfonia dos carros polícias e dos tiros vindo das “baixadas”.
Não quero, contudo, dizer que não devemos ter especialistas em educação, como educador e amante dos estudos, estaria sendo contraditório e leviano, mas acredito que seria importante e até mesmo mais produtivo para nosso desenvolvimento, que os doutores tivessem a oportunidade de vivenciar (por 1 ou 2 anos, para não exigir de mais) intensamente o dia a dia de um professor da escola pública, do salário, da estrutura, do deslocamento para as escolas, dos planejamentos variados, dentre outras coisas. Assim poderíamos ter escrito a tinta, no papel, um pouco mais de realidade.
Marcos Moreira
Salvador, 20/05/2011.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Laboratorio, espaço de que?
Constantemente encorremos no erro de visualizar um laboratório como sendo um ambiente fechado com computadores (no caso do laboratório de informatica) ou com equipamentos modernos, ou não, para se fazer experiências (no caso de laboratórios científicos). Buscando no dicionário "Soares Moraes" encontrei, dentre outras, uma definição que me chamou a atenção: Laboratório: Lugar onde se verificam grandes transformações. Então me pergunto, se faz necessário um espaço físico delimitado e rotulado, com equipamentos de ultima geração, para se verificar grandes transformações?
Se um educador de Física resolver, no meio de sua aula, soltar seu piloto, seu aluno perceberá a ação da força peso e a influencia da gravidade sobre um corpo abandonado em queda livre, e a partir daí gerar um debate, propiciando aprendizado e transformando a sala de aula em um verdadeiro laboratório de ideias. Este é apenas um exemplo prático de que não se precisa de muito para se fazer experiências. Não podemos negar, porém, que a existência de bons laboratórios com professores qualificados para utiliza-los ajuda na produção de conhecimento mas, de maneira nenhuma podemos justificar aulas desmotivadoras e sem sentido aos nossos alunos, única e exclusivamente pela falta deste espaço.
A mudança do educador na forma de pensar e de se portar diante dos desafios da educação, é imediata; e transformar a sala de aula em um laboratório de ideias, sem se prender a equipamentos científicos tradicionais passa por essa transformação. É importante destacar que para que ocorra mudanças, é necessário reservar um tempo para se capacitar, maturar as novas ideias, e preparar novos "modelos" de aula, mas até que ponto nos é dada esta possibilidade? Até que ponto estamos (educadores) dispostos a dedicar nosso já escasso tempo na busca de uma educação menos tradicionalista? Valerá a pena?
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